Contos Eróticos
Porosidade Etérea PDF Print E-mail

Poema de Inês Ramos, do Blog "Porosidade Etérea".

 

"todo eu me pelo

ao ver cabelo

e ao mordê-lo

mordiscá-lo

afagá-lo

alisar-lhe

os caracóis

e sermos dois

entre vales de lençóis

por tanta míngua

se calhar vingo-a

com a língua

na raíz das coxas

quando puxas

sedas roxas

para trás

porque nos cobre

e descobre

quanto sobre

do prazer

que entre nós há-de ser

o que se quer."

 
Maria Teresa Horta PDF Print E-mail

Invocação ao amor

 

"Pedir-te a sensação

a água

o travo


aquele odor antigo

de uma parede

branca


Pedir-te da vertigem

a certeza

que tens nos olhos quando

me desejas


Pedir-te sobre a mão

a boca inchada

um rasto de saliva

na garganta


pedir-te que me dispas

e me deites

de borco e os meus seios

na tua cara


Pedir-te que me olhes e me aceites

me percorras

me invadas

me pressintas


Pedir-te que me peças

que te queira

no separar das horas

sobre a língua


Meu ciúme

meu perfil

minha fome


meu sossego

minha paz

minha aventura


Meu sabor

minha avidez

saciedade


minha noite

minha angústia

meu costume"

 

 

 
Ana Carolina PDF Print E-mail

"Garimpeira da beleza

Te achei na beira de você me achar

Me agarra na cintura, me segura e jura que não vai soltar

E vem me bebendo toda, me deixando tonta de tanto prazer

Navegando nos meios seios, mar partindo ao meio

Não vou esquecer


Eu que não sei quase nada do mar

Descobri que não sei nada de mim


Clara, noite rara, nos levando além

da arrebentação

Já não tenho medo de saber quem somos

na escuridão


Me agarrei nos seus cabelos

Sua boca quente pra não me afogar

Tua língua correnteza lambe minhas pernas

Como faz o mar

E vem me bebendo toda, me deixando tonta de tanto prazer

Navegando nos meus seios, mar partindo ao meio

Não vou esquecer


Eu que não sei quase nada do mar

Descobri que não sei nada de mim"

 

Letrista, cantora, compositora brasileira, 1974

 
Natália Correia PDF Print E-mail

"Agora que temos novo referendo sobre a interrupção voluntária da gravidez, aí vai o poema de Natália Correia para recordarmos.

«O acto sexual é para ter filhos» - disse na Assembleia da República, no dia 3 de Abril de 1982, o então deputado do CDS, João Morgado, num debate sobre a legalização do aborto.

A resposta de Natália Correia - em poema, publicado depois pelo Diário de Lisboa em 5 de Abril desse ano - fez rir todas as bancadas parlamentares, sem excepção, tendo os trabalhos parlamentares sido interrompidos por isso:

 

Já que o coito - diz Morgado -

tem como fim cristalino,

preciso e imaculado

fazer menina ou menino;

de cada vez que o varão

sexual petisco manduca,

temos na procriação

prova de que houve truca-truca.

Sendo pai só de um rebento,

lógica é a conclusão

de que o viril instrumento

só usou - parca ração! -

uma vez. E se a função

faz o órgão - diz o ditado -

consumada essa excepção,

ficou capado o Morgado."

 

Retirado de http://www.triplov.com/poesia/natalia_correia/sexo.htm

 
Natália Correia PDF Print E-mail

Cosmocópula

 

"I

Membro a pino

dia é macho

submarino

é entre coxas

teu mergulho

vício de ostras.


II

O corpo é praia a boca é a nascente

e é na vulva que a areia é mais sedenta

poro a poro vou sendo o curso de água

da tua língua demasiada e lenta


dentes e unhas rebentam como pinhas

de carnívoras plantas te é meu ventre

abro-te as coxas e deixo-te crescer

duro e cheiroso como o aloendro"

 

 

 
<< Start < Prev 1 2 Next > End >>

Page 1 of 2

A Maleta Vermelha

Banner
A InSin oferece agora serviços de assessoria d'A Maleta Vermelha. Venha descobrir um mundo de erotismo e sensualidade.

©InSin

Free template 'InSin' by [ Anch ] Gorsk.net Studio. Please, don't remove this hidden copyleft!